18.10.11

Tina Santos Rondonista – Operação Oiapoque /julho de 2011


Nesse momento estou repassando a minha vida, voltando no tempo, um ano antes para ser mais exata. E tirando as lembranças de estar na minha rotina: trabalho; faculdade e casa. Não consigo lembrar de nada mais específico. Então, volto no tempo outra vez, três meses antes. Confesso, fica difícil escrever sem me emocionar.
Como as coisas mudam antes do Rondon não tinha grandes experiências para contar da minha vida, não tive filhos; nem escrevi livros. Isso ficou marcado na minha história, sinto que cumpri uma missão, voltei com uma postura muito diferente e uma nova visão de mundo, ou ao menos do que é nosso Brasil de verdade.
O projeto prima pela excelência de sua organização, é algo sublime e intenso. Onde desde o inicio sabemos qual nossa finalidade dentro dele, acho que muito mais do que passar conhecimento isso é preparação para nos tornarmos profissionais de verdade, que nesse momento de voluntariado descobre que tem no seu oficio uma vocação.
Hoje me sinto na obrigação de fazer bem mais, e não falo de assistencialismo, falo de ir à luta e cada vez mais transformar idéias em ações, utilizar aquela capacidade de 80% mais que tanto falam que o ser humano tem.
Foi a primeira vez que saí da minha zona de conforto. Nunca se quer acampei, muito menos passei com o estritamente necessário. E dormir na Comunidade da Padaria em Laranjal do Jarí, provou que o bem estar está na nossa cabeça, nós é que transformamos ambientes e condições de vida, se algumas pessoas conseguem viver assim, o que me impede de me identificar com essa realidade por alguns dias. Realizei-me de verdade, até parece meio egoísta falar dessa transformação, mas garanto que em nenhum momento deixei de passar isso para as comunidades em que trabalhamos.
Nós de ficamos muito bem instalados na nossa “casa” (em uma escola) em Laranjal do Jarí, o que facilitou na hora de aplicarmos os cursos, interagir com a comunidade, cidade essa muito hospitaleira, com um povo rico em conhecimento e com muita cultura, infelizmente com um problema triste de saneamento básico, claro outros bem mais graves, mas esse era o mais evidente.
A cidade surpreendeu por dois aspectos: A beleza da Floresta Amazônica e a tristeza da realidade brasileira em regiões aonde o estritamente necessário não chega.
Convivemos com um mundo novo, apresentamos capacitações e palestras onde descobrimos que o melhor de ser voluntário, é que você esta lá para aprender e trocar experiências e não para ensinar. Não foi nada fácil ver de perto uma população tão carente e tão doente, com histórias de vida tão triste e ao mesmo tempo de uma riqueza inebriante. A maioria da população mora em palafitas que em época de cheia infelizmente perdem suas moradias para a água que invade seus pequeninos casebres, e foi nessas palafitas que por algumas vezes praticamos nossas ações.
O que tinha que estar em nossa mente a todo o momento era qual o nosso objetivo nessa trajetória e isso eu imagino que era o mesmo para todos. Sair de casa com uma bagagem de conhecimento e vontade, e levar isso para pessoas que estavam dispostas a nos ouvir e acolher. Isso eu tenho certeza que aconteceu, e aconteceu muito mais, pois conhecemos pessoas muito sábias, me emocionei varias vezes com aquela população tão carente de recursos e principalmente carente de sonhos, alguns se colocando na condição de ser só mais um, e se tirando fora do círculo de mais importante. Por esses eu quero fazer muito mais.
Nós não podemos esquecer que cativamos seres humanos, e que por mais difícil que seja voltar, nada nos impede de continuar fazendo alguma coisa, importante manter contato com essas pessoas, através das redes sociais, e-mail ou o que for. Esses indivíduos podem ser nossos multiplicadores, e palavras não tem custo e cuidado com o próximo nunca é demais.
Algo muito diferente aconteceu comigo, simplesmente não senti saudades de casa, me envolvi muito com a proposta do projeto, afinal sabia que seriam alguns dias e eu ia voltar.
Momentos assim são engraçados, quando conheci o “Beiradão” tive uma sensação de telespectadora, parecia que estava fora da realidade, mas com o passar dos dias e impossível não se envolver, entender e até mesmos aceitar algumas atitudes da população, exemplo disso é a relação dessas pessoas com o rio, parece que um precisa do outro para sobreviver, e infelizmente é isso, eles sobrevivem a sua maneira e risco.
Só tenho que a agradecer ao Ministério da Defesa, minha Instituição de Ensino (Facinter), meu Professor Marcos Rogério Maioli, sem ele nada disso seria possível para nós Rondonistas e a recepção e acomodações no 34º BIS.
Não tem nada que defina a satisfação de ser um voluntário e muito menos de ser um Rondonista.
A saudade é grande tanto da comunidade como da convivência com meus colegas Rondonistas. Amei essa nova família, essa nova vida, foi muito especial.

Nenhum comentário:

Postar um comentário