Como explicar tamanha emoção vivida nestes dias tão longos, absolutamente atípicos, únicos em nossas vidas?
Tudo começou com 4 graus de temperatura no aeroporto de Curitiba, a milhares de quilômetros de distância. Animados e ansiosos, conseguimos tirar de letra o cansaço sentido nas 7 horas de viagem de lá até aqui. A ideia do calor, tão ausente lá no sul nestes últimos meses, fora imediatamente materializada quando abriram-se as portas do avião no aeroporto de Macapá e, que calor diga-se de passagem... Na verdade, foi muito mais que isso, estavamos de botas, calças e blusas, alguns até com cachecois de lã e aquele calor anunciava a necessidade urgente de ajustes nos nossos modelitos...rsrs Dali fomos para o quartel onde fomos recepcionados, ficamos hospedados e muitíssimo bem alimentados. A noite tudo o que se via era uma multidão de pessoas exaustas buscando o descanso nos alojamentos do quartel. ...e veio a tão esperada noite de sono. Então, na manhã seguinte, o sono se misturava a promessa de um percurso transamazônico de 11 horas pela frente. O que descobrimos com o alvorecer é que aquele sonho se transformaria em um desafio a altura de um filme holliwoodano com ônibus atolado por 2 horas e meia, travessia por pontes perigosas, estrada de chão batido, castigado e esburacado, em cenários paisagísticos que mesclavam o cerrado com relevo e a floresta densa e fechada. Muitos trechos da viagem mais se pareciam com um verdadeiro off-road, só que com um ônibus leito carregado de rondonistas, de bagagens e muita esperança em poder ajudar o próximo.
Aos poucos, de quilômetro a quilômetro, o valor da resignação na ajuda humanitária que tanto se vê espalhada pelo mundo era melhor compreendida. Foi quando então, 256km depois, enfim chegamos sãos e salvos graças a Deus. Dá pra imaginar o semblante de cada rondonista após o acúmulo
de 19 horas de viagem nestes dois dias? Mas essa é apenas a primeira parte da história, pois agora se iniciava a outra etapa no mínimo inusitada, para não dizer trágica, tentarmos nos encontrar... Era bagagem pra lá, bagagem pra cá, alguns perdendo as chaves, os óculos, até bagagens. Uns sugerindo força
tarefa, outros rezando por um sinal de telefonia celular e, em meio a isso tudo, o calor sufocante e a falta de água com o banho a conta gotas... Pois bem, só nos restou dormir e aí sim, as tão desejadas 8 horas de sono... Ufa!!! Dia seguinte, o início das atividades com o reconhecimento e o cantato com os responsáveis pelas secretarias locais. Muita caminhada em sol a pino e o preparo do fôlego para o que estaria por vir, a realidade crua e em total dissonância com os nossos parâmetros mentais do que vem a ser é uma sociedade.
Iniciou-se então, a difícil tarefa de tentar compreender a vida que sobrevive em meio a realidade bucólica e caótica. Como entender em tão pouco tempo a dualidade desta relação de dependência de um rio que tudo destrói nas enchentes causando a dor, mas que mesmo tempo é ansiado pelas bênçãos trazidas
através da limpeza pública e da renovação...
Pois é, agora sim a ficha caiu!!! Esse é o projeto RONDON!!!
Texto
Jean Pierre
Ótimo texto Jean, é possível sentir o que vocês estão passando. Essa bagagem os acompanhará por toda a vida! Tudo de bom por aí, e continuem mandando notícias. Abraços
ResponderExcluirCaros!!! Estamos sedentos por notícias!!! Obrigada pelo texto, Jean! Sempre que tiverem a oportunidade,detalhem as tarefas do dia por aqui. Isso vai ajudar um outro batalhão aqui a acompanhar passo a passo vocês! Força! E bom trabalho a toda equipe!
ResponderExcluirAbs